Centenário JB

Testemunho dos Diretores

Editar

Há marcos que deixam marcas, que definem histórias, que continuam, mas impulsionam a mais.

Completar 100 anos de história, de uma publicação contínua, marca sem dúvida “Jornal da Beira”. E é um marco a celebrar, a assinalar, mesmo num tempo tão atípico como o que vivemos. Um marco que deixará marcas também numa história que agora segue com o estatuto de centenário, olhando as preocupações, mas sabendo responder aos desafios que se seguirão, em cada publicação, em cada notícia.

Sem dúvida, Jornal da Beira tem também deixado a sua marca na história desta Diocese, da cidade de Viseu e desta região da Beira Alta, com as quais sempre se identificou. 

Como tem deixado a sua marca em tantas pessoas que contam, semana após semana, com a sua companhia, com a informação que o preenche, com a formação que veicula. Com a sua voz e identidade própria. 

Desde o princípio, voz de uma Diocese, da cidade em que nasceu e em que continua a sua existência, de uma região que até lhe dá este nome centenário, “da Beira”.

9 de janeiro de 2021 será mais um marco nesta história a continuar.

Em cada pessoa, notícia ou leitor, em cada história, em cada colaborador, em cada imagem impressa, em cada página, em cada edição…

Nuno Azevedo, diretor

 

100 anos decorridos… Evocação Histórica

Nestas nossas terras da Beira Alta, de que Viseu é coração, desde os primórdios, a Imprensa ocupou sempre lugar destacado. Para o comprovar, basta folhear a extensa lista de publicações, de diversas índoles. 

Havia iniciativas várias, mas não tinham caracter de publicação, regular, nem a preocupação de divulgar e defender os valores cristãos, numa sociedade eivada de velho anticlericalismo.

Tal situação preocupou o novo Bispo de Viseu. D. José Dias Correia de Carvalho, que governou esta nossa Diocese entre 1883 e 1911. 

“A FOLHA”

Como ele veio a referir, em carta-relatório enviada ao Núncio Apostólico em Lisboa em 5 de Outubro de 1895 (hoje, documento guardado no Arquivo do Vaticano), ele tentou criar um jornal que fosse porta-voz da Igreja. Bateu a diversas portas, incluindo o seu Seminário. Mas não encontrou recetividade para o seu ‘sonho’

Mas não se deu por vencido. E a opção que se lhe deparou como viável foi a de adquirir, para a Diocese, um jornal ainda em publicação. E veio a adquirir “A Folha”, até aí órgão do Partido Progressista. Para Diretor, foi buscar um jovem Sacerdote, determinado e bondoso, já com bastante experiência jornalística: o Padre José d’Almeida e Silva (natural de Pindo). E surgiu o primeiro número do jornal Diocesano em 1 de dezembro de 1901. 

Este periódico aguentou-se até 1911, sucumbindo apenas quando as “liberdades” da jovem República decidiram silenciar essa voz incómoda.

JORNAL DA BEIRA

No período conturbado que se seguiu à Implantação da República, a voz da Igreja não foi, apesar de tudo, silenciada. E um dinâmico e destemido Sacerdote, Cónego José de Almeida Correia, ‘incarnou’ o espírito de “A Folha” e continuou, até após agressões físicas, a sua luta. E foi editando, sucessivamente, “Folha de Viseu”, “Correio da Beira”, “Defesa Social” e “Jornal da Beira”. Tudo isto, numa década.

Um autêntico apaixonado por uma Causa.

O Cónego José de Almeida Correia deixou exarada a razão de toda essa luta no feliz lema de Jornal Católico: “POR DEUS E PELA PÁTRIA.” 

Parabéns, ”Jornal da Beira”! Graças a Deus!

E muitos mais anos de vida.

 

Maturidade e rejuvenescimento

Nas pessoas e nas instituições há etapas que marcam as suas histórias de vida. Nos cem anos do nosso Jornal da Beira perguntamo-nos sobre o que foi e o que ainda poderá vir a ser este nosso jornal diocesano. 

Coube-me ser seu diretor quando ele já tinha 85 anos. Uma vida longa, com muitas peripécias pelo meio. Sucedia a alguém, o Mons. José Vieira, que era conhecido como a figura do Jornal da Beira. Durante muitos anos moldou o jornal à sua maneira, como é natural. 

Perguntei-me: Que fazer? Continuar na mesma linha de conteúdos e de apresentação ou começar algo diferente? A primeira tentação foi deixar correr tudo na mesma. Mas, pensando bem, os 85 anos estavam a pedir algumas mudanças.

Com o subdiretor, Pe. Nuno Azevedo, agora diretor, propusemo-nos dar novo rosto ao jornal e criar nele secções muito marcadas quanto a conteúdos, e retirámos algumas referências ao “antigamente”, o que não foi bem visto por alguns (poucos) assinantes.

As mudanças são sempre ocasião para reflexão e foi o que fizemos. As críticas levaram-nos a dar importância ao sentir dos leitores e avançámos com decisão.

Na altura, só havia um jornalista, o saudoso Rodrigues Bispo, que cobria todas as notícias e não só. Foi altura de abrir os horizontes com a chegada de dois novos jornalistas: o Paulo Bruno (sangue novo) e a Emília Amaral (experiência nas lides jornalísticas).

Continuámos a ser fiéis ao estatuto editorial: jornal regionalista, católico, “regular elo de ligação entre a Comunidade onde se situa e os membros dispersos pelo território nacional e pelo estrangeiro”.

A digitalização foi um dos passos firmes dados também, o que constituiu um modo novo de estar no mundo da informação e da comunicação. Aqui uma palavra de apreço ao Urbano Mendonça (o Tó) que, para além do cuidado da paginação, abraçou com muita qualidade esta nova etapa.

Em 2017 achei que era a hora de passar o testemunho. Quase dez anos era tempo suficiente para dar lugar a outro com garra e juventude. Eis o novo e atual diretor, Pe. Nuno Azevedo, timoneiro desta barca centenária.

Parabéns ao Jornal da Beira, aos seus colaboradores, assinantes e leitores. Que 2021, início do novo centenário, seja repleto de boas notícias e agradáveis realizações.

 

Memória, essência, projecto

O nosso Jornal da Beira assinala 100 anos. O tempo foi passando e também o modo, mas permanece a essência. Esta dá testemunho de uma multidão que, de forma declarada ou anónima, foi construindo este especial meio de comunicação. Dá testemunho do amor a Deus e ao Evangelho, no enraizamento muito concreto desta Beira que também se ama. Dá testemunho da verdade e do conhecimento, sem falsificações ou subserviências.

Dez décadas passaram e urge celebrar a essência para melhor se servir o hoje que… está sempre a ser amanhã. O desafio da fidelidade criativa e dinâmica é rumo certo. O Papa João Paulo II muitas vezes proclamou a urgência da “nova evangelização”, e o Papa Bento XVI, na mesma linha, da “renovada evangelização”, sempre com novo/renovado ardor, métodos e expressões. Também nesta senda está, como bem se nota, o Papa Francisco. O que é novo e renovado – assim o desejamos para o Jornal da Beira – não se deixa esclerosar se se cultivar e enlaçar, de forma sã, a memória a essência e o projecto. Assim Deus queira e abençoe.

Muitos parabéns ao nosso Jornal da Beira e votos de vida longa e feliz.


Mostrar mais

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo