Sinais da Palavra

28º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Jesus lembrou-o várias vezes nas suas palavras: «nenhum profeta é bem recebido na sua terra». São João, no prólogo do seu evangelho, também o reconhece: «veio para o que era seu e os seus não O receberam». E hoje, num contexto próprio da gratidão de um estrangeiro, perante a ingratidão de outros 9 leprosos israelitas também curados, Jesus diz-nos: «Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?».

Porque, na nossa mentalidade, a gratidão só se manifesta para os de fora, para aqueles a quem se deve agradecer até pelas ditas «normas sociais». Parece quase ridículo termos de agradecer, de mostrar o nosso apreço e gratidão para os mais próximos, como se todas as ações e toda a sua vida fossem apenas uma obrigação para connosco, algo que está já predefinido e assim tem de acontecer, logo, sem necessidade até do mais básico sorriso de retribuição…

E, esta mentalidade, faz-nos até pensar a nossa relação com Deus nos mesmos modos. Não precisamos de agradecer aquilo que pensamos nosso por direito, que julgamos ser-nos devido… Parece que as nossas orações e a nossa fé são já motivos mais do que suficientes para o que recebemos, quase que uma obrigação que impomos a Deus. Até na forma como habitualmente pedimos…

E encerramos o Evangelho e a nossa fé a essa «obrigação» a que temos direito. E esquecemos que a fé, como nos lembra São Paulo, é mais uma missão do que um direito. Mas, recordemos com gratidão as suas palavras, sinais dessa mesma gratuidade de Deus: «Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos…»

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