Sinais da Palavra

7º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por: Pe. Nuno Azevedo

Como é difícil e exigente o desafio que o Senhor nos deixa. Como ele nos desinstala da nossa forma cómoda de ver o mundo, de pensar as nossas relações com os outros, apenas com aqueles de quem gostamos, de nos julgarmos o «centro» do nosso próprio mundo.

«Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo», diz o livro do Levítico. E dá pistas concretas para essa santidade: «Não odiarás…não te vingarás, nem guardarás rancor… amarás o teu próximo como a ti mesmo.»

E o Senhor, no evangelho, levanta de tal modo a fasquia que para muitos cristãos as suas palavras continuam hoje a parecer impossíveis: o dar a outra face a quem bate, o dar o manto a quem nos quer tirar a túnica, o dar e emprestar sempre.

E ficamos presos a essa suposta «impossibilidade» e com ela nos desculpamos, E ouvimos e pensamos num perdão que é incapaz de esquecer e está sempre muito pronto para a vingança na primeira oportunidade que lhe surgir. E até nos aspetos mais sociais, damos na medida apenas do que recebemos.

E Jesus lembra que a perfeição, aquela que recebemos de Deus pelo Batismo, vai além do dar a quem também nos dá, do amar apenas aqueles que nos amam, ou aqueles que nos é conveniente amar, do saudar apenas os irmãos e amigos.

Esta é a sabedoria de um mundo, onde cada vez mais, é cada um por si. Mas, São Paulo lembra que a sabedoria do mundo não é a nossa, a dos cristãos, a dos que querem imitar Jesus Cristo nessa nova e desmedida forma de amar. E diz-nos. «Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus».

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