Diocese

A catequese no centro da vida cristã

Colocar a catequese no centro das preocupações da Igreja, como serviço pastoral indispensável à formação cristã das novas gerações e no centro da vida cristã na Igreja é um desafio e uma preocupação pastoral para todos, neste tempo de pandemia. É preciso  pôr em prática as orientações que nos foram dadas a nível nacional e diocesano e que cada paróquia tenta aplicar, apesar das dificuldades de falta de catequistas, do medo  dos pais em relação ao futuro da catequese, à falta de disponibilidade logística por parte das paróquias, de espaços para criarmos a segurança necessária e para dar confiança aos catequizandos e aos seus pais, é algo que nos preocupa a todos nós. Temos que refletir dialogar em conjunto, partilhar experiências e preparar o inicio do ano de catequese e o seu futuro próximo com as melhores práticas, com esperança, com medidas de prevenção, com atitudes de prudência e com resiliência, mas também com muita fé, muita oração e uma dose de confiança em Deus e na Igreja, para que tudo corra bem e se possível privilegiando o modo presencial. O chamamento ao serviço de uma vocação e de uma missão tão necessária e nobre: “Ser Catequista”, é um desafio.

Este é um dos desafios que o Secretariado Nacional da Educação está a colocar à catequese e aos catequistas, pedindo-lhes que coloquem a catequese e a formação de catequistas no centro da vida das famílias, das comunidades, ajudando as crianças, os adolescentes e os jovens a fazer o encontro pessoal com Jesus Cristo. Para este encontro ser eficaz, de modo efetivo e atrativo precisamos de investir muito em cada paróquia na formação de catequistas. Este é também o desafio que os Secretariados da Catequese das Dioceses do Centro de Portugal sentem, por isso vão reunir-se para num trabalho conjunto delinearem o instrumento de trabalho de formação dos catequistas. Os primeiros formandos vão reunir-se no Seminário Maior de Viseu no final do dia 11 e durante o dia 12 de setembro para a realização de um curso de formação para catequistas formadores das dioceses de Aveiro, Coimbra, Leiria-Fátima, Guarda, Portalegre e Castelo Branco e Viseu. Vão debruçar-se sobre o conteúdo do novo curso de Catequistas que na sua edição apresentada e complementada com o Novo Diretório da Catequese, contará com ajuda de especialistas em catequese e do Senhor D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

Serão propostas as novas orientações para a formação de agentes pastorais no ministério de catequista, para depois  ajudarem outros catequistas a fazer o seu projeto formativo e a disponibilizar em tempo de pandemia orientações para que os conteúdos propostos, as metodologias e as pedagogias a utilizar na catequese, sejam um caminho progressivo no processo de formação na fé dos catequistas e de um necessário encontro pessoal com Jesus Cristo, que introduza as crianças, adolescentes e jovens na vida da Igreja.

Sem uma catequese verdadeiramente contextualizada neste tempo de pandemia, fiel à tradição do Evangelho e adaptada aos condicionalismos dos nossos dias, não podemos viver os objetivos que ”no atual plano de formação de catequistas, o “Ser Catequista” corresponda ao primeiro passo de um percurso formativo que pretende potenciar a identidade do catequista de modo a  encarnar a experiência de “discípulo missionário”, capaz de fazer crescer na sua vida a pessoa de Jesus Cristo, para depois transmitir aos seus destinatários através dos conteúdos, do acolhimento, do diálogo, da experiência, do testemunho e do exemplo o essencial da vida cristã. A catequese deve levar de forma convincente e inovadora às crianças, aos adolescentes e aos jovens a alegria do Evangelho, a boa nova de Jesus, de modo mais atrativo e apelativo. Este curso reveste se de imensa importância para a Igreja e para o futuro das nossas paróquias, pois a sua multiplicação como oferta de formação dos educadores da fé, deve atingir todos os catequistas da nossa diocese. Sem catequese assumida com fé e responsabilidade pelos pais, pelos catequistas e pelos catequizandos não pode haver uma verdadeira “conversão e renovação pastoral”, pois só numa preparação séria para os sacramentos a começar pela Iniciação Cristã, pode ajudar a ter uma vida cristã amadurecida na fé com um tom de verdadeira renovação eclesial. 

Devemos tudo fazer para que a catequese ocupe na Igreja o lugar primordial, que lhe está destinado, para que “em simultâneo com a liturgia, a caridade e a comunhão fraterna, faça ressoar e viver a centralidade do primeiro e principal anuncio: “Jesus Cristo ama-te, deu a vida para te salvar e vive em ti para te iluminar e fortalecer” (CF. EG 164).

Todos os participantes neste encontro de formação devem ter consciência da responsabilidade que a Igreja lhes confia, para que através do serviço do Secretariado da Educação Cristã da Diocese, possam em tempo de pandemia remar contra os ventos contrários, para fazer com que as orientações dadas para a catequese presencial sejam cumpridas e esta cumpra a missão que lhe está confiada de educar na fé e proporcionar a cada um o encontro pessoal e festivo com a pessoa de Jesus Cristo.

Atentos às contingências do momento presente não podemos deixar de nos preocupar também com um plano B, assente na família e na catequese familiar, que devemos propor e valorizar, mas também outras alternativas, de modo presencial, utilizando também as novas formas de comunicação, de informação e de imagem. Uma boa sessão de catequese que seja bem preparada e com amor, pode transformar muitos corações e muitas vidas.

Convido os catequistas a serem testemunhas pelo acolhimento, pela proximidade, exemplo de vida e competência. Da seriedade do trabalho pastoral como catequistas, depende muito o futuro da Igreja e da sua vitalidade pela graça do Espírito Santo. O mundo e a Igreja saberão agradecer-vos a luz e o fermento que fordes capazes de oferecer à humanidade através da alegria e do testemunho cristão de formardes as novas gerações na fé e para a vida da Igreja.

Conto convosco, com o vosso compromisso e rezo pelos bons frutos da catequese que queremos implementar.

† António Luciano, Bispo de Viseu | edição impressa JB 10/09/2020

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