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António Matos: o Padre apaixonado pela imprensa que esteve 18 anos ao serviço do Jornal da Beira

NA HISTÓRIA DO JORNAL DA BEIRA...

Ser jornalista é “contar a verdade, porque a ética não muda”. “O essencial é que os conteúdos sejam de valor, acessíveis e bem orientados para que as pessoas ao lerem sejam melhores pessoas”. É assim que o antigo chefe de redação do Jornal da Beira continua a sentir o jornalismo.

António Gomes de Matos, com 84 anos, hoje dedicado a acolher pessoas na Igreja do Coração de Jesus, em Viseu, dando ajuda espiritual e psicológica, partilhou a vida de Padre com a de jornalista profissional, licenciou-se em psicologia e é mestre em teologia, mas assume-se como “um apaixonado pela imprensa”. Depois de colaborar com Jornais em França, uma vez regressado à Diocese, marcou a sua carreira como jornalista no Jornal da Beira, a partir de 1995, onde trabalhou durante 18 anos, chegando a chefe de redação. “Um amigo meu chamado Dr. Elísio Marques, ex-Padre, disse ao Padre Vieira (diretor) que tinha muito jeito para escrever. O Padre Vieira levou-me à experiência e nunca mais me deixou sair”, recorda.

O Padre Matos, como é conhecido, divide em três momentos o seu trabalho de quase duas décadas no semanário da Diocese de Viseu. “Durante um ano fiz 52 artigos com o título ‘À Escuta da Bíblia’. Falei praticamente de tudo o que é essencial para um bom leitor da Bíblia”, começa assim a reviver um tempo de nostalgia. “No fim de escrever esses artigos disse para mim: a Bíblia nasce da vida, então agora vou fazer artigos sobre a vida como ponho em prática o que vem na Bíblia e assumi durante vários anos o espaço no jornal ‘À Escuta da Vida’, andei durante 15/16 anos a fazer artigos para esse tema”, lembra ainda o sacerdote jornalista. 

As quase duas décadas de trabalho no jornal levaram-no a “fazer outras coisas, até que chegou o momento de uma nova rubrica chamada “Observatório’: “publicava artigos sobre o que ia observando e fazia crónicas aproveitando a minha veia da psicologia e sociológica”.

Da equipa com quem partilhou muitos momentos transmite hoje nas suas palavras alguma saudade e até algum carinho. “Era amigo do pessoal, havia sempre ou outro de mal com a vida, mas o ambiente em si era bom”, lembra o antigo colaborador. Do projeto em si diz que sempre reivindicou o que é para si “um jornalismo de causas”: “havia, por vezes, demasiada política caseira e pouco jornalismo profissional e penso que os meus artigos vinham contrariar um pouco essa linha”.

Sem grandes otimismos ou pessimismos em relação ao futuro da imprensa, o antigo chefe de redação do Jornal da Beira entende que está na hora de se fazer uma “reflexão séria” acerca da imprensa, nomeadamente, por parte da Igreja Católica. “A ética não está ausente do jornalismo, nós temos um código de conduta e a Igreja tem descurado tanto os meios de comunicação tradicionais como os digitais. As pessoas não se prepararam e hoje têm medo e alguma ignorância”, remata.

Emilia Amaral  |  edição imprenssa 20/02/2020

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