Viseu

Cerca de 300 pessoas saíram à rua para reivindicar melhores urgências e um centro oncológico

Concentração promovida pela Liga de Amigos e Voluntariado 

“Devíamos ser todos a sair à rua e não apenas estas pessoas, mas Viseu tem este problema de não falar a uma só voz mesmo quando precisa”. O desabafo de João Pereira, um participante na concentração de sábado à tarde, 25 de janeiro, que levou cerca de 300 pessoas ao Rossio, para exigir a concretização rápida das obras de alargamento do serviço de urgência e a criação do prometido centro oncológico para o Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV).

A praça estava composta. Na concentração participaram os presidentes da Câmara de Viseu e da Comunidade Intermunicipal (CIM ) Viseu Dão Lafões, autarcas, membros dos vários partidos políticos, destacando-se a ausência do Partido Socialista, um dos oito deputados eleitos por Viseu para a Assembleia da República (Pedro Alves), sindicatos, voluntários do Hospital São Teotónio, profissionais de saúde, alguns representantes de instituições da cidade como o presidente do Instituto Politécnico de Viseu, mas sobretudo utentes que em comum tinham episódios menos positivos vividos no hospital de Viseu, a grande maioria no serviço de urgências.

“Vamos lutar. Se for necessário fazer dez concentrações destas iremos fazê-las”, garantiu aos jornalistas Fernando Bexiga, presidente da Liga de Amigos e Voluntariado do CHTV, que convocou a concentração, com o apoio da Comunidade Intermunicipal e dos municípios da região.

Fernando Bexiga lembrou que Viseu está farto de promessas adiadas e alertou para a necessidade cada vez mais premente da construção de um centro oncológico. “Já vi o pré-projecto do Centro Oncológico, mas do pré-projecto ao projeto há muito a fazer. Mais uma vez, não há um cêntimo no Orçamento do Estado. Tinha sido prometido em 2018 e em 2019 estaria a primeira fase concluída, e a verdade é que o que continuamos hoje a ver é zero. É fundamental que haja dinheiro e projeto para se poder construir o centro oncológico, porque cada vez temos mais gente com problemas oncológicos e muito menos capacidade de os atender”, afirmou.

Fernando Bexiga explicou que a concentração também teve o objetivo geral de “exigir melhores condições físicas e recursos humanos e a substituição de equipamentos já em fim de vida, com duas décadas de uso, que obrigam à suspensão da realização de exames, bem como ao envio de doentes para empresas privadas ou enormes listas de espera”.

“A intervenção urgente no departamento de psiquiatria (em Abraveses), cujas instalações e equipamentos estão ultrapassados e sem qualquer dignidade para quem está internado”, é outra das reivindicações.

“Vamos fazer agora uma petição pública e daí para a frente tudo é possível, podemos ir até Lisboa”, avançou.

O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, juntou-se ao coro de críticas por melhores e mais serviços de saúde, no CHTV. “Muitas vezes, esta ânsia de termos um Orçamento equilibrado penaliza, não Lisboa e Porto, mas as regiões do Interior porque, como são menos pessoas a reivindicar, a voz não é tão forte. Desvia-se o dinheiro para onde ele não deve ser desviado, tirando-o de outros lados. Na ferrovia, por exemplo, não se fará seguramente a modernização da Linha da Beira Alta para o Metro de Lisboa e do Porto e para a Linha de Cascais”, discursou. 

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões que também se juntou à concentração de sábado, já pediu uma reunião de trabalho à ministra da Saúde para discutir as obras de requalificação do serviço de urgência e a criação do centro oncológico. 

O novo concurso público para as obras, que representa um investimento de 6.460.627 euros, foi publicado na quinta-feira (23 de janeiro) em Diário da República. No entanto, realçou Fernando Bexiga, “não basta assinar despachos ou lançar concursos”, o Governo tem de agir.

Emília Amaral  |  edição impressa 30/01/2020

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