Centenário JB

D. António Luciano: “Que o desenvolvimento integral e sustentável  do ‘Jornal da Beira’ seja um desafio e uma oportunidade”

Esta Eucaristia celebrada em caminho sinodal, convida-nos no dia do Batismo de Jesus a dar graças a Deus pelo dom do sacramento do Batismo, que um dia recebemos. Sejamos agradecidos por tão grande dom e vivamos uma vida de testemunho e de compromisso crQistão.

Convido-vos também a dar graças a Deus, à Santíssima Virgem, a São José e a São Teotónio, por nesta Eucaristia da festa do Batismo de Jesus podermos com alegria, gratidão, esperança e confiança celebrar o encerramento do centenário de vida do nosso querido Jornal da Beira.

Aos seus responsáveis que promoveram este evento, o meu muito obrigado. Agradeço a todos aqueles e aquelas que quiseram associar-se a nós neste momento festivo de ação de graças. Foram muitos aqueles que ao longo do ano se manifestaram solidários connosco. Muito obrigado a todos!

Agradeço à Câmara Municipal de Viseu ter distinguido o nosso Jornal da Beira com a Medalha de Ouro. Agradeço também a distinção recebida do Secretariado das Comunicações Sociais da Igreja, que agraciou o Jornal da Beira, com o prémio D. Manuel Falcão.

A todos os que estiveram connosco neste centenário e nas efemérides celebradas, o meu sentido bem-haja. Que todos possamos fazer muito mais pelo nosso Jornal da Beira.

Jesus desceu às águas do rio Jordão para as santificar. O Espírito Santo, que desde o início da criação paira sobre as águas, revela-se, renova e santifica todas as coisas. O relato do Evangelho de Lucas fala-nos desse momento preciso, “quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele” (Lc 3,21).

A oração, enquanto mistério de comunhão, leva-nos a descobrir o grande amor que Deus têm por cada um nós e a valorizar a dignidade da vida cristã, que nos foi dada no dia do Batismo como dom para enriquecer a nossa história de amor e de graça. O sacramento do Batismo faz de nós filhos adotivos de Deus, iniciando assim a vocação à santidade, como servidores da Igreja.

A figura do servo apresentada por Isaías, mostra-nos a figura de um Messias, que havia de nascer simples, pobre e humilde, para depois libertar e salvar o seu povo. “Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma” (Is 42,1). O Messias, Salvador prometido e todo aquele que se identifica com Ele, deve seguir este caminho e viver esta identidade. Lembra Isaías: “Fui Eu, o Senhor que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão e te formei… Fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações” (Is 42,6). Eis a missão do Messias e a vocação de todos aqueles que pelo dom da filiação divina, seguem Jesus no chamamento e o buscam. Jesus respondeu aos seus discípulos: “Vinde ver” (Jo 1,39). 

É este encontro com Jesus que São Pedro anuncia na sua pregação nos Atos dos Apóstolos. “Deus não faz acepção de pessoas” At 10,34), para logo depois afirmar que do Batismo de João, Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem.

Jesus ao ser batizado orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado; em Ti pus toda a minha complacência” (Lc 3, 22).

Como Jesus também nos somos filhos muito queridos e amados por Deus. Todos somos filhos queridos e amados por Deus nas alegrias, nas dores, nas esperanças, na felicidade, na provação e na miséria do pecado. Como em Jesus também Deus coloca em nós toda a sua “complacência”, todo o prazer de nos amar, de cuidar sempre de nós, porque nos quer bem e deseja que sejamos muito felizes.

Na reciprocidade do amor a nossa atitude como cristãos deve ser a de escutar a pessoa de Jesus, como nos manda o Pai, fazermos o verdadeiro encontro com Ele e sermos proativos no projeto de renovação pessoal e comunitário da Igreja. 

A Igreja diocesana deu hoje mais um passo importante no caminho sinodal, através das propostas que nos foram dadas para realizar um tempo de escuta uns com os outros, que nos é pedido no modo de “caminhar juntos”,  para renascer na fé a vida nova e a alegria que nos foi dada no dia do nosso Batismo. Com empenhamento e testemunho cristão ajudemos as nossas comunidades a parar, a escutar, a ouvir, a dialogar, a partilhar e a refletir, para depois em comunhão respondermos sobre a nossa participação na vida da Igreja. Que Igreja queremos ser? Que cristãos queremos testemunhar o nosso Batismo na missão que hoje nos está confiada? O Papa Francisco desafia-nos a realizar o “caminho sinodal” com muita criatividade e inovação pastoral. 

Respondamos às perguntas que nos são feitas, mas envolvamos todos os grupos apostólicos e de leigos na resposta geradora de comunhão para a missão. O pior, que nos pode acontecer no “caminho sinodal” é ficarmos como observadores à beira da estrada a ver passar a procissão, sem nos integrarmos nela. Pior ainda, será deixar que todo o processo seja concluído, mantendo-nos de fora da mesma barca ou na indiferença da nossa falta de compromisso e confiança.

Tomemos como exemplo Maria de Nazaré, o modelo ideal dos discípulos de Cristo e mãe espiritual de todos os cristãos. Pela sua estreita união a seu Filho Jesus Cristo, pelo acolhimento pleno do Espírito Santo e pela total adesão a Deus Pai, Ela tornou-se mãe de todos aqueles que pelo sacramento do Batismo são filhos de Deus.

Jesus ao falar das suas relações com os homens e em particular com os discípulos comparou-se ao pastor, à fonte da água viva, ao semeador do campo, ao dono da vinha, ao pão que alimenta. “Nos sacramentos, Cristo vem ao encontro do homem e dá-se pessoalmente num encontro salutar que corresponde a todas as circunstâncias da vida humana: O homem entra na vida pela geração e pelo nascimento: Jesus Cristo fez nascer o homem para a nova vida pelo “batismo” (O que é ser cristão, nº 31).

Pela fé em Cristo e no Espírito Santo, o cristão tem acesso à dignidade de filho de Deus. Esta comunhão de vida com Deus em Cristo é já a vida eterna presente em nós. É vontade do Pai de que todo o que vê o Filho e n’ Ele acredita tenha a vida eterna.

No encerramento das comemorações do centenário do “Jornal da Beira”, peço a Deus a sua bênção para iluminar o futuro da imprensa regional de inspiração cristã, porque apesar dos condicionalismos desta pandemia, continua a ter uma vocação própria dentro da Igreja e no seio da sociedade atual.

Não podemos perder a esperança diante de um horizonte carregado de grandes dificuldades, mas que nos oferece também alguns desafios. O diretor do “Jornal da Beira” Padre Nuno Miguel Henriques Azevedo escrevia esta semana: “Um encerramento discreto e possível, num centenário que foi marcado pela pandemia. Como também o ano de 1921, em que surgiu, foi marcado por anomalias diversas.

Mas, nas incertezas futuras, agradecer o presente e a história de um jornal centenário, porém jovem de espírito e atual, sempre na senda do informar e formar, próprio de um centenário da Diocese de Viseu” (Jornal da Beira, Editar, 6 de janeiro de 2022).

Comungo destes desejos e faço-os também meus, com um voto de estima e estímulo a todos os responsáveis, para que em tempos difíceis como aqueles que vivemos sejamos capazes de ser responsáveis, quer como assinantes ou benfeitores. Não deixemos cair por terra ao abandono este projeto, que ao longo de um século serviu a igreja, a diocese, a cidade e a região. 

Sejamos todos benfeitores do Jornal da Beira, quer através da palavra escrita, da nossa opinião, do nosso artigo semanal, da publicidade, ou da assinatura do jornal, ajudando todos na sua renovação e sustentabilidade para servir melhor as pessoas e a comunidade.

Peço a Deus para que dê a todos muita esperança, ao Diretor da “Fundação Jornal da Beira”, Padre Abel Ferreira Rodrigues, ao Diretor do “Jornal da Beira”, Padre Nuno Miguel Henriques Azevedo, aos jornalistas, corpo redaccional, funcionários e funcionárias, colaboradores e amigos da Livraria e do Jornal da Beira as graças de que tanto precisamos. Que Deus nos dê a força e a fé necessárias para não deixarmos, que este projeto termine por falta do nosso compromisso, do nosso carinho, da nossa ajuda e do nosso profissionalismo, na defesa dos valores e atitudes, que caracterizam a grandeza dos meios de comunicação social, principalmente os que estão confiados à Igreja.

Que o sonho de cada um de nós se transforme num projeto novo e pessoal, para que a renovação da nossa vida cristã e o desenvolvimento integral e sustentável do “Jornal da Beira” seja para todos um desafio e uma oportunidade. Ámen.

Viseu – Sé, 9 de janeiro de 2022

 António Luciano dos Santos Costa,

Bispo de Viseu


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