Centenário JB

Espaço de memória. 100 anos do Jornal da Beira

Casa Episcopal de Viseu

No âmbito do início das celebrações do centenário do Jornal da Beira foi apresentado ao público um Espaço de Memória, evocativo não só do percurso deste periódico diocesano, mas também das outras estruturas que lhe estão associadas, concretamente a tipografia, a livraria e a produção de hóstias. 

Através de uma barra cronológica evoca-se o percurso do Jornal da Beira, iniciando-se com a referência às publicações diocesanas que o antecederam, com especial destaque para A Folha, um periódico progressista que o Bispo D. José Dias Correia de Carvalho adquiriu em dezembro de 1901, juntamente com a respectiva Tipografia. Na edição de 5 de janeiro de 1911 o seu diretor, Cónego José de Almeida Correia, registava que A Folha era “quase a única arma de defesa que nos resta perante um Governo de opressão e de sectarismo” antevendo os ataques republicanos à imprensa católica. A suspensão desta publicação, que ocorreu a 5 de março do mesmo ano, e as publicações que lhe sucederam, concretamente a Folha de Viseu (12 a 25 de março de 1911), o Correio da Beira (1 de abril de 1911 a 1919) e o Defesa Social (23 de abril de 1919 a 31 de dezembro de 1929) são referidas através da apresentação da primeira folha das respectivas edições, evidenciando a perseverança da diocese na manutenção de um jornal próprio. 

Nos painéis alusivos à fundação do Jornal da Beira coloca-se em evidência a sua primeira edição, com destaque para um extracto do programa que iria orientar esta publicação: “o nosso jornal, além da sua feição doutrinária, de propaganda abertamente católica, terá um carácter acentuadamente regionalista, será verdadeiramente o Jornal da Beira. (…) Jornal francamente católico e nacionalista, o Jornal da Beira juntará à defesa religiosa a defesa dos grandes interesses nacionais (…) nenhuma questão de interesse local ou nacional lhe será estranha; sobre todas elas procurará fazer luz, criar opinião, guiando-se apenas pelos superiores interesses da região ou do país, absolutamente estranho aos interesses dos partidos políticos ou dos grupos de especuladores que só pensam em locupletar-se à custa da nação”. 

A caminhada do jornal ao longo dos seus 99 anos é rememorada essencialmente através da exibição dos seus directores e dos Bispos da Diocese, pois o seu empenho e compromisso foram decisivos para a continuidade deste semanário e terão sido determinantes para as opções e linhas orientadoras que foram sendo assumidas em cada edição. Eles foram os timoneiros que a cada semana garantiram a publicação do semanário da diocese de Viseu. Outros aspectos considerados expressivos destas décadas são simbolicamente representados através de imagens, entre os quais destacamos: a mudança de instalações do edifício do Círculo Católico para a rua Nunes de Carvalho, que ocorreu a 5 de outubro de 1923; as celebrações do 50º e do 75º aniversários, com a presença dos colaboradores, cada um com as suas responsabilidades na concretização semanal deste projecto editorial; as distinções recebidas, com especial referência para o Prémio Anim’arte para Os Órgãos de Comunicação Social (1998) e para a Medalha de Mérito Municipal (2000). Referência também relevante para a Instituição da Fundação Jornal da Beira, no ano de 2007. 

De forma sintética expõe-se assim a trajectória do Jornal da Beira, numa representatividade da sua dinâmica, expressiva do diálogo entre a Igreja e mundo, entre a diocese de Viseu e o território em que se insere, da sua missão de anúncio de um mundo estruturado nos valores e na proposta de amor que de que Cristo é o rosto. 

Na próxima semana faremos referência aos restantes conteúdos deste Espaço de Memória.

Bens Culturais da Diocese de Viseu  |  edição impressa 16/01/2020

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