Igreja

Mensagem do Presidente da Comissão Episcopal de Missões e Nova Evangelização

EIS-ME AQUI, ENVIA-ME!

Acabei de assumir a Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização e as primeiras palavras são para este Guião Missionário. Faço-o por esta ocasião de comunhão e oração e com profunda gratidão a Deus por tantas provas do Seu amor para comigo, da família às comunidades cristãs, dos sacerdotes e Bispos que conheci aos muitos leigos santos com quem trabalhei e cresci e, agora, por este belo e vasto campo da Missão e Nova Evangelização. Caminharemos juntos! Todos na mesma barca com Cristo ao leme, uma só equipa neste setor da Missão, da Nova Evangelização, com os diálogos ecuménico e Interreligioso. A todos saúdo bem como a quem trabalha na Fundação Fé e Cooperação. Ao Senhor podemos todos dizer como Isaías: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8).

Estes tempos de pandemia são um estímulo, um kairós a colher de espírito aberto. As provações e crises que sentimos já cá estavam antes e a pandemia foi apenas um acelerador que deixa tudo mais “às claras”. Se fomos privados de tantos dos nossos hábitos e Deus nos silenciou, é porque quer falar Ele! Se o deixarmos Ele dirá coisas novas e grandes! O silêncio incómodo e doloroso a que fomos remetidos lembra a dificuldade da Igreja em “sair até às periferias”, de abandonar o cómodo critério do “sempre se fez assim” (EG 38). Tirou-nos a ilusão das facilidades e das fantasias enganosas de sucesso. Oxalá acenda a esperança de “uma nova etapa da evangelização” (EG 287) e transforme o murmúrio de Deus a Isaías: “quem há de ir por nós?” em aurora de muitas vocações à missão.

Olhando o mundo, os países e povos aflitos, pode-se sonhar com um terreno mais apto à fraternidade universal: todos irmanados nos mesmos limites e fragilidades, esperamos que sejam também importantes e indispensáveis, qual poliedro, onde cada um tem uma beleza própria, importante para o todo, sempre maior que as partes, como diz a Evangelii Gaudium! Onde o Evangelho já se faz cultura, sonha-se com respostas globais: na educação – o Papa fala de um pacto educativo global -, na saúde – em que uma vacina e a sua distribuição dê prioridade aos mais frágeis -, na “casa comum”, na globalização da fraternidade, etc.

Tal não será possível sem homens novos, gerados no amor de Jesus Cristo e prontos a dar a vida pelos irmãos. O mundo tem que mudar, os homens têm que ser melhores, mas é preciso um povo novo capaz de “guardar a profecia” e ser dela sinal. Cada comunidade cristã precisa de manter pulsante este coração universal para fazer crescer a própria comunidade e desconfinar Jesus Cristo. Diz o Papa: “O caminho missionário da Igreja continua à luz da palavra que encontramos na narração da vocação do profeta Isaías: «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8) e, na Mensagem para o Dia Mundial das Missões diz: «A missão, a “Igreja em saída”, não é um programa…é Cristo que faz sair a Igreja de si mesma”. Repetindo com a vida a explicação que Ele Crucificado nos dá, poderemos carregar todos os gritos desta humanidade aflita, para a salvar. Esta é uma tarefa urgente e uma emergência pastoral de toda a Igreja.

Durante este mês Missionário peçamos com fé à Mãe do Evangelho “que interceda a fim de que este convite para uma nova etapa da evangelização seja acolhido por toda a comunidade eclesial” (EG 287). Deus continuará a manifestar o seu amor pelos homens e a tocar e transformar corações, mentes, corpos, sociedades e culturas em todo o tempo e lugar.

† Armando Esteves Domingues

Presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização

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