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Na História do Jornal da Beira… José Saraiva de compositor a editor do desporto

De tipógrafo a editor de desporto, José Saraiva trabalhou no jornal da Beira 45 anos, entre dezembro de 1962 e fevereiro de 2007. Começou aos 15 anos a compor na tipografia letra a letra e acabou agarrado a um computador. “No início eram sete funcionários para fazer um jornal de seis páginas”, lembra.

José para uns, Saraiva para outros, revela hoje aos 72 anos que a “arte de fazer jornais” não se abraça só como um trabalho para ganhar dinheiro, vive-se como uma paixão. “A tipografia foi sempre uma arte de que gostei, os jornais atraiam-me”, revela o antigo colaborador, cheio de histórias para contar nas memórias de tantos anos, desde quando trabalhava de segunda a sábado (48 horas semanais) e só tinha o domingo de folga, desde quando o Jornal da Beira saía à sextas-feira porque havia correio ao sábado…, mas a primeira semana ficou-lhe vincada para sempre: “Os tipógrafos tinham fama de gostar de beber uns copos depois do fecho. Na primeira semana, quando cheguei ao fim despedi-me: meus senhores, até segunda-feira. E há um que diz: ‘para onde vais? Calma’… levaram-me para uma tasca que já não existe, comi chouriça com eles e tive de beber um copo, eu que nem bebia. Foi a minha praxe na primeira semana de trabalho” (risos).

Ao longo dos 45 anos em que trabalhou na tipografia, José Saraiva destaca as três fases distintas pelas quais se foi adaptando: começou por compor textos letra por letra – como hoje se pode ver no Espaço Memória nas instalações do Jornal da Beira – passou para a evolução dos anos 70, o processo de montagem das páginas em linhas de chumbo e, mais tarde, o salto para o computador. “Na minha primeira semana consegui compor um bocadinho [de espaço] para o jornal, uma pequena notícia, e cheguei a casa todo satisfeito”, lembra, ao assumir que a adaptação era desafiante: “Quem trazia as máquinas dava-nos umas luzes e nós íamos aprendendo”.

Cheio de histórias para contar, José Saraiva acaba por lembrar o que entende nunca poder faltar numa equipa de um jornal e “isso não muda” com o passar dos anos: “camaradagem, ou seja, espírito de ajuda, o gosto pelo que se está a fazer tanto da parte dos jornalistas como da restante equipa, e tentar fazer sempre melhor. É o essencial para a vida de um jornal”, remata.

Emília Amaral  |  edição impressa 23/01/2020

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