Centenário JB

Padre João Martins: quase uma década como diretor

NA HISTÓRIA DO JORNAL DA BEIRA...

João Martins, Padre, responsável pelo Tribunal Eclesiástico da Diocese de Viseu, foi durante nove anos diretor do Jornal da Beira. A renovação da imagem do jornal, a criação de instalações mais modernas, a procura de novas secções que dessem novos conteúdos aos leitores e a restruturação da equipa redatorial, marcaram a passagem do Sacerdote pelo semanário, entre 2007 e 2016. 

O recém-nomeado, na altura, Bispo da Diocese de Viseu, D. Ilídio Leandro, encontrou no Padre João Martins a experiência de diretor em outros jornais regionais e chamou-o a um novo desafio. Desafio esse que acolheu com grande expectativa, porque ia ao encontro do seu espírito de estar constantemente a fazer coisas novas, embora já na altura a acumular as funções de juiz do Tribunal Eclesiástico e de Pároco no Arciprestado de Dão. Cargos que mantém aos 72 anos.

“Eu tenho já alguma experiência. Estou ligado a isto desde muito cedo, em 1985 comecei num mensário e depois também estive num quinzenário”, lembra o antigo diretor do Jornal da Beira.

O Padre João Martins recorda que foi um “tempo de muito trabalho”, onde o aspeto gráfico do jornal centenário teve uma remodelação. Segundo o antigo diretor, o objetivo era dar uma feição mais “atual, porque antes ainda vinha no cabeçalho o binómio – Por Deu e Pela Pátria – e fazia lembrar o antigamente”. 

Ciente da realidade que iria encontrar, mas não rendido na altura, reconhece hoje, quando se lhe pede para deixar memórias de uma década marcante para o Jornal da Beira, que a maior dificuldade foi a mudança de instalações, em que durante dois anos trabalharam na Urbanização do Seminário e depois voltaram para as antigas instalações, depois de concluídas as obras da Casa Episcopal, onde funciona tanto a livraria como o semanário da Diocese.

No início do seu trabalho no Jornal da Beira, a redação tinha apenas um jornalista, o que reconhece ter sido um “problema”: “Era muito trabalho só para uma pessoa, era muito tempo e muito repetitivo. Mas depois vieram a Emília [Amaral] e o Paulo [Bruno Alves] ajudar no projeto e foi bastante positivo”.

O antigo diretor resume ainda que a passagem pelo jornal foi “uma experiência rica”. “Um mensário e um quinzenário já davam trabalho, então um semanário dava muito mais. Mas sempre conseguimos que o jornal saísse no dia certo. Procurámos não falhar e não falhámos, mesmo que isso nos levasse a fazer algumas noitadas”, lembra. 

Deixou o cargo de diretor depois de pedir para ser substituído, por considerar que “não tinha capacidade para dar atenção a tudo”.  É que para o Padre João, o semanário não é uma empresa como as outras: “O Jornal da Beira pode ser um vínculo não só de informação, mas também de formação, para as pessoas terem uma referência sobre os valores cristãos, vinculado por um órgão noticioso, que leve uma mensagem de harmonia e paz”. Conclui, no entanto, admitindo que “foi difícil fazer com que os sacerdotes gostassem do jornal. Uns diziam que era só política, outros diziam que era só religião, punham defeitos em tudo, não acarinhavam e não apoiavam nas dificuldades”.

Quatro anos depois de ter saído, agora com um olhar diferente para cada edição, às quintas-feiras, o ex-diretor espera que o centenário Jornal da Beira “continue a fazer um bom trabalho” e que os seus colaboradores “não desanimem, mesmo que as dificuldades apareçam”. 

Beatriz Almeida com apoio da redação  |  edição impressa 05/03/2020

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