Viseu

Poucos sabem porque se celebra o Dia do Município de Viseu a 21 de setembro

HISTÓRIA RETRATA A RELAÇÃO DA FEIRA FRANCA COM SÃO MATEUS

Maria João fazia uma caminhada pelo centro da cidade na manhã de segunda-feira, 21 de setembro, feriado municipal em Viseu, celebrado como Dia de São Mateus. À pergunta se sabe porque se celebra naquela data o dia do município, a professora não conhece a história apesar de ser natural do concelho. “Talvez por causa da Feira de São Mateus que, há alguns anos atrás, ainda decorria nesta altura e, já agora aproveito para dizer que a Câmara fez mal em encerrar a feira antes do feriado”, responde Maria João.

Mais à frente dois casais de idosos questionavam o facto de edifício central da Caixa Geral de Depósitos estar encerrada quando já passava das nove da manhã. Vivem no concelho, mas não sabiam que era feriado. “Hoje é feriado em Viseu”, ajudava em voz alta um outro idoso que se preparava para o café da manhã na esplanada do Rossio da cidade. “Infelizmente os nossos governantes preocupam-se em homenagear este e aquele e não se preocupam em ir, por exemplo, às escolas, ou encontrar formas de explicar aos viseenses porque hoje é feriado na nossa terra”, comenta José (nome fictício).

O Jornal da Beira aproveitou o dia feriado para perceber como cada munícipe vive a data festiva num concelho com quase 100 mil habitantes. “O feriado, na verdade, não me diz grande coisa. Eu trabalho e, para além disso, não há nada que o assinale de maneira que seja importante para as pessoas”, reforça Sofia Pereira. “Com festa na rua como acontece com o São João no Porto ou o Santo António em Lisboa”, acrescenta a amiga.

“Um dia como os outros” é a resposta mais ouvida: “Atualmente o feriado é só mais um da semana, por acaso este ano trabalho, por causa da Covid-19, mas nos outros anos era só um dia em que não trabalhava. Antigamente a tradição era ir à Feira de S. Mateus comer uma fartura. Mas agora nem a feira vai até ao dia 21 de setembro”, critica Teresa Monteiro, tal como Sónia Santos: “É um dia como os outros. Não me lembro de haver grandes celebrações que assinalassem o feriado. Se as há, não são dirigidas ao público em geral, por isso, é normal que o dia de São Mateus não signifique grande coisa para as pessoas”.

São Mateus, considerado o autor do Evangelho de Mateus, consta que era cobrador de impostos. A partir de 1511 Viseu começou a atrair mercadores de várias cidades para virem trabalhar para a Feira Franca (atual Feira de São Mateus), a mais antiga feira da Península Ibérica. Assim, se conseguiu que a Feira continuasse de boa saúde e agradasse a ‘gregos e troianos’, fazendo com que mais pessoas se deslocassem à feira. “Em forma de agradecimento, foi criado o Dia do Município em sua honra”. Esta é a versão publicada pela autarquia que explica a razão de ser feriado em Viseu em Dia de São Mateus. 

Como todos os anos, na passada segunda-feira ouve celebrações preparadas pelo executivo camarário, mas mais contidas devido ao perigo de contágio do novo coronavírus, que em Viseu está espalhado pela comunidade. No Teatro Viriato, com uma plateia quase vazia, decorreu a tradicional entrega das medalhas de mérito a personalidades e instituições que ao longo do tempo se destacaram perlo trabalho desenvolvido em prol da comunidade. A agenda das comemorações contou ainda com vários momentos marcantes, terminou com um concerto da Orquestra Juvenil de Viseu na Igreja da Seminário Maior e começou com a Eucaristia na Igreja de São José presidida pelo Bispo da Diocese.

Ao longo da sua homilia, D. António Luciano salientou o pensamento do Papa Francisco na nova Encíclica sobre o tema ‘Fraternidade Humana’, que será publicada a 4 de outubro – em que pede ao mundo um novo olhar sobre a ‘Casa Comum’: a poluição, as mudanças climáticas entre outras – e apelou à “partilha” para que a distribuição dos recursos chegue a todos nestes tempos difíceis de uma nova pandemia espalhada pelo mundo. “Só uma solidariedade bem organizada e com justiça social e equitativa pode ser uma resposta para os mais necessitados, esperando que não deixe ninguém de fora”, realçou.

O dia do Município de Viseu encerrou também o programa cultural alternativo Cubo Mágico e destacou-se pela exposição, no Rossio, do vestido de oito metros feito à mão pela Associação Cultural de Teivas e que é candidato ao livro dos records do Guinness como o maior vestido do mundo.

Beatriz Almeida | Emília Amaral | edição impressa de 24/09/2020

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