Opinião

Irmãos pequenos do vento

Não é fácil explicar como é que eu e tantos outros conseguimos ultrapassar as fases da infância e da adolescência.

Fazíamos coisas disparatadas sem que alguém nos protegesse. Saíamos em grupo para tomar banho no velho açude, mesmo sem antes termos aprendido a nadar correctamente. Partíamos de bicicleta, sem capacete, para tão longe quanto aguentassem as forças ou a fome. Íamos sem destino. Entrávamos em cavernas e perdíamo-nos lá dentro. Trepávamos muros altos para entrarmos em casas abandonadas, onde estabelecíamos o nosso refúgio. Fazíamos explorações, rasgávamo-nos, sujávamo-nos. Íamos a pé para a escola, mesmo quando estava a chover, mesmo quando ficava longe.

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Paulo Geraldo | edição impressa JB 11/06/2026


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